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Vida sexual ativa desafia preconceitos e deficiências

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Descrição da foto: O psicólogo Fabiano Girolamo e sua cadeira-bicicleta: adaptação para uma vida saudável, sem impedimentos emocionais 

 

 

 

Quem nunca sentiu o coração disparar ao ver uma pessoa atraente? Atração, cortejo, namoro, casamento e o sexo são assuntos ainda com muitos tabus quando envolvem deficientes físicos. 

 

Mas, entre eles, não é bem assim. Na palestra da 5ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, realizada quinta-feira em Maringá, sexualidade e inclusão social foram amplamente discutidos, sem pudor. 

 

O psicólogo palestrante Fabiano Puhlmann Di Girolamo diz que os deficientes às vezes precisam de terapia sexual ou de casal, mas que o amor e o sexo entre eles é uma necessidade como a de todas as outras pessoas. 

 

“Ninguém é incapaz de amar, pessoas com deficiência podem e querem viver para amar e serem amadas”, afirma o palestrante, que é deficiente físico desde os 17 anos, quando teve uma lesão medular. 

 

Ele conta que presenciou o caso de uma mulher com surdo-cegueira e a fala bastante afetada que se apaixonou de tal forma que, toda vez que o amado se aproximava, o coração dela disparava e ela tinha tremores tão intensos que os médicos acharam que ela sofria de síndrome do pânico. 

 

 

Paquera 

 

O preconceito coloca os deficientes numa posição de submissão, o que, segundo o deficiente visual Ricardo Alexandre Vieira, 33 anos, não deveria acontecer. 

 

“As pessoas acham que quando estamos com uma companheira que não seja deficiente temos que ser gratos e ficar com ela para o resto da vida, porque ela nos aceitou. Não é assim. Pessoas boas e más existem entre todos nós. Um deficiente, que normalmente é tido como santinho, pode ser uma pessoa má, que trai, que não respeita a relação, assim como sua companheira”, comenta. 

 

Vieira nasceu cego, é casado e tem uma filha de 6 anos. Para ele, o cego é perfeitamente capaz de identificar a beleza de uma mulher. 

 

“Nós vemos com os outros sentidos, temos nosso padrão de beleza, sabemos se a mulher é gorda, magra, alta, baixa. Se a minha mulher coloca um vestido feio achando que não vou ligar, está enganada, posso não saber a cor, mas sei exatamente como é a roupa dela”, diz. 

 

Cezar Gualberto, 50 anos, perdeu a visão aos 19 anos. Ele diz que a aproximação física é fundamental para o primeiro contato. “A paquera é diferente, nós ouvimos a voz da pessoas, sentimos o cheiro, tocamos. Tem gente que se apaixona por uma voz, por exemplo”. 

 

Para ele o relacionamento tem que progredir em todas as áreas. Gualberto foi casado por 13 anos, é divorciado e pai de três meninas, com as quais tem conversas abertas sobre sexo e casamento. 

 

Para os cadeirantes, a paquera tem que ter antes de tudo um contexto. Girolamo destaca a necessidade de sair de casa preparado para a “balada” como qualquer outra pessoa. 

 

“Não adianta sair para passear com qualquer roupa, deprimido, numa cadeira feia. A pessoa tem que se arrumar, se produzir, deixar a cadeira bacana e acima de tudo trabalhar a autoestima antes de paquerar”, aconselha. 

 

Segundo ele, as armas de sedução de homens e mulheres são as mesmas em qualquer grupo. 

 

Fonte: O Diário em 31/05/2009 

Foto: Divulgação 

Matéria: Karina Zasnicoff 

 

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