Treinamento dos Motoristas da TCCC – 20/05/2010

Descrição: A foto da esquerda temos, Rubens Monteiro (cadeirante) no meio, motorista da TCCC e à direita, Leila Zacarias (cadeirante), ao fundo ônibus adaptado. A foto à direita contem um grupo de motoristas, e ao fundo a estrutura da garagem da TCCC.
Desde o inicio do mês de abril deste ano, os motoristas da TCCC ( Transporte
Coletivo Cidade Canção) vem passando por treinamentos que visam à ampliação dos programas de qualidade total.
Dentro desse treinamento de procedimentos, uma das etapas é a de acessibilidade, que, segundo Luiz Carlos Alves, chefe de Trafego da TCCC, tem como objetivo a melhoria da qualidade do transporte no dia-a-dia das pessoas com deficiência.
Essa etapa é composta de aula didática sobre acessibilidade e treino pratico de utilização e manejo do elevador, existente em cerca de 185 dos 220 ônibus da frota do grupo, e que, como meta deve existir em 100% da frota.
Na etapa prática, os motoristas, que se reúnem em grupos de 10 por treinamento, aprendem a forma correta de utilizar o elevador e escutam dos usuários (pessoas com deficiência, que se disponibilizaram a relatar suas experiências) a rotina de quem necessita desse meio para realizar suas atividades diárias e que por vezes não tem seus direitos como deficientes, e principalmente, como seres humanos respeitados pelos motoristas e pelos passageiros que utilizam o mesmo transporte.
A etapa seguinte é uma vivência, onde alguns motoristas se voluntariam a usar a cadeira de rodas e utilizar o elevador. Os relatos falam por si só:
“É difícil manobrar a cadeira”
“Existe certo constrangimento em estar na cadeira”
- Antonio Rosa, 46 anos, motorista há 25 anos.
“Dá medo de cair”
“Senti Insegurança quando estava no alto da plataforma”
- Anderson Inácio, 28 anos, motorista há 5 anos.
Dessa maneira os motoristas podem sentir “na pele” o que sente uma pessoa com deficiência ao utilizar o elevador, e perceber que auxílios simples podem fazer toda a diferença como por exemplo: como segurar a cadeira de rodas quando o elevador for descer, perguntar se precisa de ajuda, onde vai parar, avisar sobre obstáculos, no caso de pessoas com deficiência visual, entre outros tantos auxílios que nada mais são do que gentileza e boa educação.
Para Rubens Monteiro e Leila Zacarias, ambos cadeirantes que estão auxiliando o treinamento desde o inicio, esse procedimento já vem surtindo resultados muito favoráveis e perceptíveis no dia-a-dia.
Eles relatam que não tem receio em andar por toda a cidade com quaisquer motoristas, que tem melhorado a vida, que o vinculo entre passageiros e motoristas tem aumentado, assim como o cuidado ao manusear o elevador, além de a expectativa de que com esse processo, dentro de pouco tempo, as pessoas com deficiência não precisem mais do trabalho da Translivre, podendo exercer o direito de ir e vir com os ônibus de linha.
Ainda segundo eles, as mudanças e as melhorias realizadas pela TCCC são perceptíveis e vem recebendo elogios por parte dos usuários desse equipamento, elogiando o empenho e a iniciativa da empresa nesse processo de acessibilidade e inclusão.
“Maringá esta de parabéns, a TCCC esta de parabéns”
- Rubens Monteiro, 54 anos, cadeirante há 10 anos.
Com esse treinamento podemos perceber que o processo de inclusão social existe e precisa de empenho por parte daqueles que atendem as pessoas com deficiência, como vem demonstrando a TCCC. Dessa forma e com essa dedicação acreditamos que nossas metas e ideais serão um dia atingidos.
Sabemos que esse trabalho é longo e árduo, o importante é manter-se firme e não retroceder.
Quanto à dificuldade que algumas pessoas ainda possuem em lidar com a deficiência e com o preconceito que habita nelas, vendo pessoas com deficiência com olhar de “dó”, “pena”, ou “nojo”. Esse é outro trabalho, outra etapa, que em breve voltaremos a falar.
Por hora, muito obrigado a todos que de alguma maneira estão sendo agentes de transformação.