Exposição para inclusão de idosos e deficientes
Arte e inclusão social podem caminhar juntas. Prova disso é a exposição “Arte e Inclusão”, que vai até o dia 30, no Shopping Maringá Park. Entre os autores das 30 peças que compõem a mostra, todas esculturas ou vasos de argila feitas nos últimos sete meses, há idosos e pessoas com deficiência. A entrada é de graça.
Alguns dos expositores foram descobertos durante o ciclo de aulas data este ano no Centro de Convivência João Paulo II, na Associação Maringaense dos Autistas (AMA), no Colégio Estadual João XXIII e no Laboratório de Escultura em Argila Arte e Neuroplasticidade na Universidade Estadual de Maringá (UEM). No total, 120 pessoas foram beneficiadas gratuitamente.
Tudo foi financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A verba foi de R$ 30 mil. O projeto foi proposto por Edvan Dias de Souza, que tem paralisia cerebral. Em 2000, ele participou de um projeto do Departamento de Psicologia da UEM, cujo objetivo era saber se é possível ensinar arte em argila para quem tem paralisia cerebral. Não só deu certo, como hoje ele é professor.
“O projeto [de 2000] provou que é possível a inclusão de quem tem deficiência”, comenta o psicólogo Valmir Batista da Silva, que, ao lado de Edvan e da pedagoga Silvia Mara da Silva, deu aulas para parte dos 120 alunos. “Após o projeto na UEM, ele [Edvan] se tornou produtor cultural e professor, proporcionando a inclusão de outros.”
Estímulo
Nos últimos meses, durante as aulas de arte em argila, foi realizada uma observação científica por parte de Valmir e Silvia. Para um grupo de idosos, as aulas foram semanais; para outro idoso, foram diárias. “O grupo evoluiu com o aprendizado, mas o aluno que teve estímulos todos os dias se tornou em um artista”, comenta o psicólogo, que também assina a curadoria da exposição.
“A conclusão que chegamos foi de que o estímulo é o carro-chefe no processo de aprendizagem e, consequentemente, no de inclusão.” Valmir acrescenta que o benefício da arte com argila não está só no aprendizado de uma nova habilidade, sobretudo para quem é idoso ou deficiente. “A auto estima aumenta e o reconhecimento aparece.”, diz. “Além disso, essa atividade estimula o pensamento lógico, o raciocínio abstrato e o planejamento.”
Artistas
Entre os que têm obras expostas estão, além de Edvan e Valmir, Maria de Jesus Souza, 68, Marcos Kubota, 66, e Wilson Negri Sanches, 50. Todas as peças estão à venda, com preços a partir de R$ 40. As temáticas vão do corpo humano à decoração. Para todos eles, a maior vantagem da atividade é o relaxamento. “Desestressa”, diz Maria de Jesus. Além disso, no caso de Marcos, a atividade contribuiu para a recuperação dos movimentos após dois derrames nos últimos anos.
Wilson, que começou a mexer com argila este ano e tem preferência pelas formas humanas, conta que, às vezes, é a argila que diz como quer ficar. “A inspiração nem sempre é minha.” Edvan revela que nunca imaginou ser professor e acrescenta que, quando pensou nesse projeto, quis oferecer à comunidade algo que fizesse as pessoas se sentirem melhor no dia a dia. Fazer o bem, melhor dizendo.
Repórter: Thiago Ramari
tramari@odiariomaringa.com.br
Fonte: O Diário em 26/09/2009